Eu estou bem. I’m fine. Estoy bien.
I’m fine. I’m fine. I’m fine.
Assim, em várias línguas. Eu estou bem, porra. Repito isso em voz alta todos os dias que acordo. Mas há alguns dias atrás eu estava sentada no chão do quarto com uma garrafa de vodka em uma mão e uma arma na outra apontando para a minha própria cabeça. Como se diz para as pessoas que amamos que passamos a ter medo de nós mesmos? Sinto-me uma bomba-relógio que vai explodir a qualquer momento. Um tic-tac interno me dizendo “O que você ainda faz aqui? (tic) O que você ainda espera do mundo? (tac) Você realmente acha que um dia as coisas vão ser diferentes? (tic) Serio mesmo?(tac)”. E tudo gira. E de repente eu acordo toda rasgada. O que eu estou fazendo comigo? Eu me tornei um fantasma vivo vagando por ai sem ter nada a dizer, e dentro da minha cabeça existe uma luta tão profunda e tão minha de quem merece vencer e ficar com o premio final que me leva além da loucura. E qual o premio final? De um lado a menina que acredita que tudo tem salvação, inclusive as pessoas, e que só quer sorrir novamente, seu premio é esse: um sorriso. Já do outro, uma pessoa amarga e desacreditada de tudo que existe de bom, que já não acredita no amor nem o vendo nem em frente ao seu nariz e que só quer sumir daqui, de tudo e de todos, eis que seu sonho, seu premio é fechar os olhos e nunca mais acordar. E o que decide quem ganha se não eu? Mas o que eu sou nisso tudo? Eu sou as duas. E cada vez que eu fico sozinha e deixo os pensamentos fluírem eu deixo uma delas crescer mais. Mas qual? Cada uma vence um pouco a cada dia. Será que eu quero deixar alguém vencer? Não. Viver aqui dentro é tortura demais, uma delas precisa sair, mas qual? Mas como? Eu tenho tanto medo… Porque no fundo, eu sei quem vai ganhar, e sei que sorrir depois disso vai ser impossível. Ah, esse sorriso, era tão bonito.
joosiele
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