Eu estou bem. I’m fine. Estoy bien.                             
                                           I’m fine. I’m fine. I’m fine.
Assim, em várias línguas. Eu estou bem, porra. Repito isso em voz alta todos os dias que acordo. Mas há alguns dias atrás eu estava sentada no chão do quarto com uma garrafa de vodka em uma mão e uma arma na outra apontando para a minha própria cabeça. Como se diz para as pessoas que amamos que passamos a ter medo de nós mesmos? Sinto-me uma bomba-relógio que vai explodir a qualquer momento. Um tic-tac interno me dizendo “O que você ainda faz aqui? (tic) O que você ainda espera do mundo? (tac) Você realmente acha que um dia as coisas vão ser diferentes? (tic) Serio mesmo?(tac)”. E tudo gira. E de repente eu acordo toda rasgada. O que eu estou fazendo comigo? Eu me tornei um fantasma vivo vagando por ai sem ter nada a dizer, e dentro da minha cabeça existe uma luta tão profunda e tão minha de quem merece vencer e ficar com o premio final que me leva além da loucura. E qual o premio final? De um lado a menina que acredita que tudo tem salvação, inclusive as pessoas, e que só quer sorrir novamente, seu premio é esse: um sorriso. Já do outro, uma pessoa amarga e desacreditada de tudo que existe de bom, que já não acredita no amor nem o vendo nem em frente ao seu nariz e que só quer sumir daqui, de tudo e de todos, eis que seu sonho, seu premio é fechar os olhos e nunca mais acordar. E o que decide quem ganha se não eu? Mas o que eu sou nisso tudo? Eu sou as duas. E cada vez que eu fico sozinha e deixo os pensamentos fluírem eu deixo uma delas crescer mais. Mas qual? Cada uma vence um pouco a cada dia. Será que eu quero deixar alguém vencer? Não. Viver aqui dentro é tortura demais, uma delas precisa sair, mas qual? Mas como? Eu tenho tanto medo… Porque no fundo, eu sei quem vai ganhar, e sei que sorrir depois disso vai ser impossível. Ah, esse sorriso, era tão bonito.
joosiele

E assim eu fecho meu Blog.. E que seja doce!

Eu sei que pra ti e pra muita gente é bem dificil de entender tudo o que eu fiz, a maneira como eu fugi de tocar no assunto. Mas só eu sei como doeu depois das coisas que eu soube, depois de tudo que havia acontecido no último mês e então ver aquilo. Só eu sei o quanto me doia lembrar daquilo - quem dirá então tocar no assunto -, mas foi o que o bom senso me exigia, por mais que o tempo tenha me mostrado infantil, eu apenas deixei ele mesmo - o tempo - tornar a ideia "menos dolorosa", mais "aceitavel" ou simplesmente mais "ampla" para que então eu pudesse tocar no assunto. Foi dificil pra mim, e ainda é, mas eu precisei de um tempo pra entender que de qualquer maneira eu ia ouvir você dizendo: sim, é isso mesmo. "Acontece". Sabe, era dificil demais todas as vezes que eu me imaginava contando que eu "sabia" e te via confirmando tudo, sendo sincera, como era pra ter sido desde o começo. E de fato em muitas vezes foi. Eu sei que nada do que eu fale apaga o que aconteceu, mas eu me sinto bem comigo mesma pois respeitei o meu tempo. Respeitei o tempo que eu precisava pra "explicar" o motivo de tudo sem que eu me sentisse idiota, usada. Posso ter agido de forma errada. Mas segui meu coração em todas as minhas decisões. Talvez meu erro tenha partido dai. Meu erro foi que eu coloquei coração onde não devia. Ah minha pequena, agora é tarde pra desejar que as coisas tenham sido diferente, agora é tarde pra arrancar tudo isso de mim. Tempo. Tempo. Tempo. Quanto tempo?

joosiele

Pra você guardei o amor que nunca soube dar, o amor que tive e vi sem me deixar, sentir sem conseguir provar, sem entregar e repartir. Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim, vem visitar, sorrir, vem colorir solar, vem esquentar e permitir. Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz no giz do gesto, o jeito pronto do piscar dos cílios, que o convite do silêncio exibe em cada olhar. Guardei, sem ter porque, nem por razão, ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar. Achei, vendo em você e explicação nenhuma isso requer, se o coração bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar. Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais, o amor que tive e recebi e hoje posso dar livre e feliz. Céu, cheiro e ar na cor que arco-íris risca ao levitar (…) 
Nando Reis

"De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: "meu Deus, mas como você me dói de vez em quando..."
Caio Fernando Abreu
E eu tinha esquecido completamente que essa coisa de me sentir viva de novo consentia muito também em me fazer sofrer, sangrar por dentro. Tinha esquecido que viver de verdade não era só sorrir. Então eu tive saudade do meu vazio, da minha falta de sentimentos. Me arrependi por ter aberto meu coração novamente.

joosiele

Mas sabe, dois anos era tempo demais, eu precisava lembrar de como era isso. Lembrei, não gostei.
"E encontrava companhia num copo de bebida, um cigarro ou outra droga qualquer
Já que eu não tinha mais você." (Hateen)

Pior de tudo é ter que admitir que está sendo exatamente assim.. bebidas, cigarros, drogas.. O que eu to fazendo, meu Deus? Em que buraco eu to me enfiando? Cada a minha frieza que de fora era tão lindo de se ver? Não sei, não sei. Ela derreteu todo o gelo que tinha dentro de mim e agora eu to aqui, quente, agindo por emoções. Essa não costumava ser eu. Porque?

joosiele
Consegui fuder uma veia minha e estou com o braço roxo. Palmas para mim e meu desespero.
Tem sentimento que é intenso demais, inquietante demais e grande demais. Esse não fica guardado no peito. Ele explode para todos os lados.
Lucas Silveira
Por fora tudo está tão bem, por dentro o choro não tem fim...
E por mais que doa, eu não me imagino sentindo algo diferente disso.

O que é pior, sangrar por dentro ou por fora? Não sei.. não sei. Já estou tão despedaçada que nem sangue eu tenho mais.
Mais um corte. Eles tem sido cada vez mais profundos. Será que eu estou mesmo em busca da tal chave ou simplesmente tentando matar o que tenho por dentro? Assim vou acabar um dia matando o que também tenho por fora...

joosiele
E a cada segundo que passa eu sinto que eu tenho cada vez menos dentro de mim. Não sei bem o que, me sinto vazia. Me sinto sem alma. Será então que ela já sangrou o bastante? Ainda não me sinto leve. Me sinto pesada, mas sem nada. Palavras felizes perderam o sentido. Eu vivo num mundo escuro que eu mesma criei, não sei como sair daqui. Eu tranquei todas as portas, todas as janelas e todas as possibilidades de sair. Eu quero sair, não tem como. Eu mesma tranquei e perdi as chaves. Eu me firo constantemente achando que assim vou achar algo que me tire daqui. Eu engoli as chaves talvez. De repente eu as deixei contigo, não sei. Mas não da mais pra pegar de volta, e tira-las de dentro de mim tem sido difícil, eu não consigo. Parece que cada corte que eu faço - a procura dessa tal chave que me tire de dentro desse lugar escuro que eu mesma criei - eu empurro ela mais e mais para dentro de mim mesma. Eu faço de tudo pra tentar tirar ela, mas parece que nada funciona. Eu me afundo em copos de bebidas, em cigarros e outras drogas porque eu fracasso, fracasso o tempo todo. Elas estão tão fundo dentro de mim, e eu preciso pega-las. P-R-E-C-I-S-O! E se então eu precisar realmente matar minha alma de vez pra te-las? Mas sem alma eu não vou viver. Se com alma - mesmo que ferida e sangrando - minha carne pede por um fim a tudo isso. O que eu faria então sem uma alma? O que será que meu corpo seria capaz de fazer para expulsar toda essa dor se eu não tivesse mais uma alma dentro de mim capaz de lutar contra tudo de ruim que eu venho tentando fazer contra mim mesma? E quando a bebida parar de fazer efeito? O cigarro? As drogas? Os remédios? E quando nada mais conseguir fingir essa sensação de alivio? E quando a minha alma morrer de verdade? O que então eu vou fazer? A unica coisa que me mantém viva é isso. Minha alma. As coisas tem se perdido de mim e tudo tem deixado de fazer sentido. Eu sei que é a minha alma me dando adeus e me avisando "já tá na hora, a gente não vai mais aguentar muito, eu não aguento mais, você também não. A gente precisa sair daqui e nascer em outro lugar, com outras pessoas, outra vida, eu não sei você, mas eu to saindo agora, eu já morri a muito tempo. E você não vai aguentar muito tempo sem mim". Ela tá se desprendendo do meu corpo e meu corpo tá pedindo por um golpe final. Eu achei que ferindo assim as coisas iam cicatrizar mais rápido, e, de repente eu percebi que eu as terminei de matar e não consigo mais parar. Talvez eu pare quando a última gota de sangue cair, quando o coração parar. Talvez eu pare quando for impossível voltar atrás, num golpe final eu voarei pra longe, deixarei meu corpo aqui, sozinho e sem vida e vou me fundir a minha alma, então sendo uma só vou voar pra longe, pra longe...

Cortei tão fundo que cheguei até minha alma. Ela sangra tão lentamente e me lembra a cada segundo os motivos da minha dor. E se minha alma sangrar até morrer? E se eu não fizer nada pra estancar o sangue que insisti em escorrer tão vagarosamente por entre meus orgãos e cai quase que imperceptível no chão? E quando a minha alma morrer o que vai ser da minha carne?
Quando minha alma finalmente sangrar tudo o que tens meu corpo então irá se sentir livre? Acho que será então o momento que ele se sentirá pronto para partir. Então eu voarei...

joosiele
E se eu desistisse e fosse embora de uma forma que fosse impossível voltar? 
 Eu já não sei quem sou ou o que me tornei. Mas eu tenho medo. Medo das minhas vontades, das minhas angustias, da minha coragem.
Não vejo mais o meu reflexo no espelho. Não sei nem o que e nem quem é que enxergo, só sei que não reconheço mais. Não és meu aquele rosto, resultado de tanta dor.

joosiele
Meus dias tem sido mais frios do que o normal, competem entre si se é mais frio na rua ou dentro de mim. Quase todos regados a álcool e cigarros para tentar aquecer algo que nem eu mesma sei o que é. Alguns dias com giletes espalhadas pelo quarto e algumas gotas de sangue, de alguma forma acho que é possível expulsar toda essa dor dessa forma, ou anular, não se sabe direito ainda o porque. Só se sabe da estranha necessidade de me ferir, talvez por me sentir culpada por algo que também não sei o que é. São dias frios. São dias vazios. São dias sem ela.


joosiele

Por que você ficou frio e sumiu e esqueceu e secou e matou e deletou e resolveu e foi? E você diz que está trabalhando e eu me sinto idiota. Me sinto esfolada viva pelo mundo. Me sinto enganada. Me sinto inteira uma enganação. Respiro mentiras. Visto desculpas. Ajo disfarces. Porque a gente estava sim se gostando mas você correu pra levantar antes a bandeira do "se fudeu trouxa, o amor não existe". (Tati B.) 
Em menos de dez minutos você se lembra de tudo.
Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida. O maior. Aquele que você nunca superou. (...)  E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele.

Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e... será que não dá para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás, nossos amores, nossos empregos, casas... um dia seremos nós a desaparecer.