joosiele
E assim eu fecho meu Blog.. E que seja doce!
Eu sei que pra ti e pra muita gente é bem dificil de entender tudo o que eu fiz, a maneira como eu fugi de tocar no assunto. Mas só eu sei como doeu depois das coisas que eu soube, depois de tudo que havia acontecido no último mês e então ver aquilo. Só eu sei o quanto me doia lembrar daquilo - quem dirá então tocar no assunto -, mas foi o que o bom senso me exigia, por mais que o tempo tenha me mostrado infantil, eu apenas deixei ele mesmo - o tempo - tornar a ideia "menos dolorosa", mais "aceitavel" ou simplesmente mais "ampla" para que então eu pudesse tocar no assunto. Foi dificil pra mim, e ainda é, mas eu precisei de um tempo pra entender que de qualquer maneira eu ia ouvir você dizendo: sim, é isso mesmo. "Acontece". Sabe, era dificil demais todas as vezes que eu me imaginava contando que eu "sabia" e te via confirmando tudo, sendo sincera, como era pra ter sido desde o começo. E de fato em muitas vezes foi. Eu sei que nada do que eu fale apaga o que aconteceu, mas eu me sinto bem comigo mesma pois respeitei o meu tempo. Respeitei o tempo que eu precisava pra "explicar" o motivo de tudo sem que eu me sentisse idiota, usada. Posso ter agido de forma errada. Mas segui meu coração em todas as minhas decisões. Talvez meu erro tenha partido dai. Meu erro foi que eu coloquei coração onde não devia. Ah minha pequena, agora é tarde pra desejar que as coisas tenham sido diferente, agora é tarde pra arrancar tudo isso de mim. Tempo. Tempo. Tempo. Quanto tempo?
Pra você guardei o amor que nunca soube dar, o amor que tive e vi sem me deixar, sentir sem conseguir provar, sem entregar e repartir. Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim, vem visitar, sorrir, vem colorir solar, vem esquentar e permitir. Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz no giz do gesto, o jeito pronto do piscar dos cílios, que o convite do silêncio exibe em cada olhar. Guardei, sem ter porque, nem por razão, ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar. Achei, vendo em você e explicação nenhuma isso requer, se o coração bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar. Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais, o amor que tive e recebi e hoje posso dar livre e feliz. Céu, cheiro e ar na cor que arco-íris risca ao levitar (…)
Nando Reis
"De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: "meu Deus, mas como você me dói de vez em quando..."
Caio Fernando Abreu
E eu tinha esquecido completamente que essa coisa de me sentir viva de novo consentia muito também em me fazer sofrer, sangrar por dentro. Tinha esquecido que viver de verdade não era só sorrir. Então eu tive saudade do meu vazio, da minha falta de sentimentos. Me arrependi por ter aberto meu coração novamente.
Mas sabe, dois anos era tempo demais, eu precisava lembrar de como era isso. Lembrei, não gostei.
joosiele
"E encontrava companhia num copo de bebida, um cigarro ou outra droga qualquer
Já que eu não tinha mais você." (Hateen)
Já que eu não tinha mais você." (Hateen)
Pior de tudo é ter que admitir que está sendo exatamente assim.. bebidas, cigarros, drogas.. O que eu to fazendo, meu Deus? Em que buraco eu to me enfiando? Cada a minha frieza que de fora era tão lindo de se ver? Não sei, não sei. Ela derreteu todo o gelo que tinha dentro de mim e agora eu to aqui, quente, agindo por emoções. Essa não costumava ser eu. Porque?
joosiele
Consegui fuder uma veia minha e estou com o braço roxo. Palmas para mim e meu desespero.
“Tem sentimento que é intenso demais, inquietante demais e grande demais. Esse não fica guardado no peito. Ele explode para todos os lados.”
| — | Lucas Silveira |
Por fora tudo está tão bem, por dentro o choro não tem fim...
E por mais que doa, eu não me imagino sentindo algo diferente disso.
O que é pior, sangrar por dentro ou por fora? Não sei.. não sei. Já estou tão despedaçada que nem sangue eu tenho mais.
Mais um corte. Eles tem sido cada vez mais profundos. Será que eu estou mesmo em busca da tal chave ou simplesmente tentando matar o que tenho por dentro? Assim vou acabar um dia matando o que também tenho por fora...
joosiele
E a cada segundo que passa eu sinto que eu tenho cada vez menos dentro de mim. Não sei bem o que, me sinto vazia. Me sinto sem alma. Será então que ela já sangrou o bastante? Ainda não me sinto leve. Me sinto pesada, mas sem nada. Palavras felizes perderam o sentido. Eu vivo num mundo escuro que eu mesma criei, não sei como sair daqui. Eu tranquei todas as portas, todas as janelas e todas as possibilidades de sair. Eu quero sair, não tem como. Eu mesma tranquei e perdi as chaves. Eu me firo constantemente achando que assim vou achar algo que me tire daqui. Eu engoli as chaves talvez. De repente eu as deixei contigo, não sei. Mas não da mais pra pegar de volta, e tira-las de dentro de mim tem sido difícil, eu não consigo. Parece que cada corte que eu faço - a procura dessa tal chave que me tire de dentro desse lugar escuro que eu mesma criei - eu empurro ela mais e mais para dentro de mim mesma. Eu faço de tudo pra tentar tirar ela, mas parece que nada funciona. Eu me afundo em copos de bebidas, em cigarros e outras drogas porque eu fracasso, fracasso o tempo todo. Elas estão tão fundo dentro de mim, e eu preciso pega-las. P-R-E-C-I-S-O! E se então eu precisar realmente matar minha alma de vez pra te-las? Mas sem alma eu não vou viver. Se com alma - mesmo que ferida e sangrando - minha carne pede por um fim a tudo isso. O que eu faria então sem uma alma? O que será que meu corpo seria capaz de fazer para expulsar toda essa dor se eu não tivesse mais uma alma dentro de mim capaz de lutar contra tudo de ruim que eu venho tentando fazer contra mim mesma? E quando a bebida parar de fazer efeito? O cigarro? As drogas? Os remédios? E quando nada mais conseguir fingir essa sensação de alivio? E quando a minha alma morrer de verdade? O que então eu vou fazer? A unica coisa que me mantém viva é isso. Minha alma. As coisas tem se perdido de mim e tudo tem deixado de fazer sentido. Eu sei que é a minha alma me dando adeus e me avisando "já tá na hora, a gente não vai mais aguentar muito, eu não aguento mais, você também não. A gente precisa sair daqui e nascer em outro lugar, com outras pessoas, outra vida, eu não sei você, mas eu to saindo agora, eu já morri a muito tempo. E você não vai aguentar muito tempo sem mim". Ela tá se desprendendo do meu corpo e meu corpo tá pedindo por um golpe final. Eu achei que ferindo assim as coisas iam cicatrizar mais rápido, e, de repente eu percebi que eu as terminei de matar e não consigo mais parar. Talvez eu pare quando a última gota de sangue cair, quando o coração parar. Talvez eu pare quando for impossível voltar atrás, num golpe final eu voarei pra longe, deixarei meu corpo aqui, sozinho e sem vida e vou me fundir a minha alma, então sendo uma só vou voar pra longe, pra longe...
Cortei tão fundo que cheguei até minha alma. Ela sangra tão lentamente e me lembra a cada segundo os motivos da minha dor. E se minha alma sangrar até morrer? E se eu não fizer nada pra estancar o sangue que insisti em escorrer tão vagarosamente por entre meus orgãos e cai quase que imperceptível no chão? E quando a minha alma morrer o que vai ser da minha carne?
Quando minha alma finalmente sangrar tudo o que tens meu corpo então irá se sentir livre? Acho que será então o momento que ele se sentirá pronto para partir. Então eu voarei...
Quando minha alma finalmente sangrar tudo o que tens meu corpo então irá se sentir livre? Acho que será então o momento que ele se sentirá pronto para partir. Então eu voarei...
joosiele
E se eu desistisse e fosse embora de uma forma que fosse impossível voltar?
Eu já não sei quem sou ou o que me tornei. Mas eu tenho medo. Medo das minhas vontades, das minhas angustias, da minha coragem.
Não vejo mais o meu reflexo no espelho. Não sei nem o que e nem quem é que enxergo, só sei que não reconheço mais. Não és meu aquele rosto, resultado de tanta dor.
joosiele
Meus dias tem sido mais frios do que o normal, competem entre si se é mais frio na rua ou dentro de mim. Quase todos regados a álcool e cigarros para tentar aquecer algo que nem eu mesma sei o que é. Alguns dias com giletes espalhadas pelo quarto e algumas gotas de sangue, de alguma forma acho que é possível expulsar toda essa dor dessa forma, ou anular, não se sabe direito ainda o porque. Só se sabe da estranha necessidade de me ferir, talvez por me sentir culpada por algo que também não sei o que é. São dias frios. São dias vazios. São dias sem ela.
Por que você ficou frio e sumiu e esqueceu e secou e matou e deletou e resolveu e foi? E você diz que está trabalhando e eu me sinto idiota. Me sinto esfolada viva pelo mundo. Me sinto enganada. Me sinto inteira uma enganação. Respiro mentiras. Visto desculpas. Ajo disfarces. Porque a gente estava sim se gostando mas você correu pra levantar antes a bandeira do "se fudeu trouxa, o amor não existe". (Tati B.)
joosiele
Por que você ficou frio e sumiu e esqueceu e secou e matou e deletou e resolveu e foi? E você diz que está trabalhando e eu me sinto idiota. Me sinto esfolada viva pelo mundo. Me sinto enganada. Me sinto inteira uma enganação. Respiro mentiras. Visto desculpas. Ajo disfarces. Porque a gente estava sim se gostando mas você correu pra levantar antes a bandeira do "se fudeu trouxa, o amor não existe". (Tati B.)
Em menos de dez minutos você se lembra de tudo.
Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida. O maior. Aquele que você nunca superou. (...) E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele.
Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e... será que não dá para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás, nossos amores, nossos empregos, casas... um dia seremos nós a desaparecer.
Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida. O maior. Aquele que você nunca superou. (...) E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele.
Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e... será que não dá para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás, nossos amores, nossos empregos, casas... um dia seremos nós a desaparecer.
Por favor, Ana, morra
Pois enquanto você estiver aqui, nós não estaremos
Você faz o som do riso
E as unhas afiadas parecem macias.
E eu preciso de você agora, de algum modo
E eu preciso de você agora, de algum modo
Abra fogo sobre as necessidades desenhadas
Nos meus joelhos por você
Abra fogo sobre os meus ajoelhados desejos
O que eu preciso de você
Imagine um desfile
Na minha cabeça a carne parece mais grossa
Lágrimas de crocodilo corroem o filme
E eu preciso de você agora, de algum modo
E eu preciso de você agora, de algum modo
Abra fogo sobre as necessidades desenhadas
Nos os meus joelhos por você
Abra fogo sobre meus ajoelhados desejos
O que eu preciso de você
E você é a minha obcessão
Eu te amo até os ossos
E Ana destrói sua vida
Como uma vida de Anorexia
Abra fogo sobre as necessidades desenhadas
Sobre os meus joelhos por você
Abra fogo sobre meus ajoelhados desejos
O que eu preciso de você
Abra fogo sobre as necessidades desenhadas
Abra fogo sobre meus ajoelhados desejos
Sobre os meus joelhos por você
Me cortei de novo. Desculpem-me. Sou mais frágil do que eu mesma pensava ser.
E dói
Sabe, eu não consigo dormir, e eu tenho mentido tanto pra tantas pessoas sobre eu estar bem. Eu fico o tempo todo imaginando milhares de cenas, de conversas que a gente poderia ter. Minha mente automaticamente separa tudo o que eu imagino e gostaria que fosse e tudo o que eu imagino e sei que seria. Dói tanto. Sempre imagino nós duas em uma sala, um quarto qualquer conversando - ou tentando - minhas palavras sempre ficam engasgadas, minhas frases ficam pela metade. Porque até nos meus pensamentos eu tenho medo de terminar e ouvir, ouvir aquilo que eu sei que tu dirás. Eu não suporto ouvir isso nem dessa maneira, de mentira, das minhas paranoias. Eu me pego o tempo todo chegando perto de você e dizendo que porra, eu te amo! E eu não acho justo tudo ter acabado assim, que eu não quero que acabe! Que eu quero tentar te fazer feliz, que eu quero você comigo, todos os dias como antes, que sim, é idiota, mas eu preciso de você. Eu preciso saber se você ainda sente algo, se ainda me quer como antes, se eu ainda sou pra você tudo o que eu era e o que você é pra mim e o que eramos uma pra outra, eu preciso que você faça meu coração voltar a bater. Em seguida sempre imagino a sua reação, a forma como tentaria fazer com que eu ficasse calma e tentando me explicar da forma mais doce possível que acabou, que não tem mais volta, que as coisas se perderam em algum momento, que os sentimentos se foram. Dói. Dói não saber mais o que pensar, como agir, o que fazer. E eu me pego burra, tentando ficar longe de ti porque esse sentimento mesmo que sem motivação nenhuma, sem explicação alguma só cresce, e cresce. Cresce dentro de mim de uma forma que eu não consigo mais controlar. De uma forma burra. Um sentimento sem reciprocidade. Não é mútuo. É imprevisível, é massacrante, dói. Tento o tempo todo ficar de pé mas é impossível. Eu caio aos poucos, e, quando acho que estou pronta pra me levantar, você cresce mais um pouquinho dentro de mim e eu sinto o peso que é amar você desse jeito e então caio de novo. E dói.
joosiele
Que passe o tempo. Que ele escreva as linhas e deixe para mim somente a prazeirosa função de pontuar frases. Muitas exclamações, algumas interrogações e apenas um ponto final, que eu deixei reservado para ti. Faze o que quiseres com ele. É teu.
(Lucas Silveira)
O meu corpo todo treme com a tua presença e grita e implora só de sentir tua respiração. Você não entende, mas é tão dificil ficar do teu lado sem ter você daquele jeito. Eu sei, foi uma decisão quase que unicamente minha, e por mais que minha razão saiba tim tim por tim tim os motivos, meu coração não entende. E procuro em outros corpos, outros sorrisos o que só encontrei em você, e não consigo, uma tentativa de fuga fracassada. Eu tive tanto medo, eu corri tanto de você, de nada adiantou. Você nasceu em mim no dia em que te vi pela primeira vez, e, desde então tem crescido cada vez mais e eu não consigo controlar. Meu corpo todo dói só de saber que tu não és mais o meu abrigo. Que em teus braços não vou mais poder encontrar aquele conforto. Eu era uma pessoa tão fechada e havia prometido que eu não ia mais me entregar desse jeito. E olha, eu to aqui, eu sabia que isso ia acontecer, que ia ser exatamente assim e mesmo assim me permiti, deixei as coisas acontecerem em vez de sair correndo. E quando eu finalmente resolvi correr, depois que o medo e as angustias tomaram conta do que eu era, já era tarde demais. Eu já não tenho onde me esconder, tudo me lembra você. E ficar perto de ti sem poder te tocar tem roubado todas as coisas boas que ainda restam dentro de mim. Eu nunca fui de deixar tão claro assim as coisas que eu sinto, acho que as pessoas se assustam quando veem que eu sou assim tão intensa, desculpa se eu te assustei. Tentei não te sufocar com o meu amor e acabei eu me afogando nisso tudo. Querer tanto algo que já não se pode mais ter, dói. E não adianta dizer que entendes, só eu sei como é, como me sinto. Como é dificil ficar do teu lado sem te ter de novo. Mas não renuncio, de uma certa forma eu quis que fosse assim.
joosiele
Já faz um tempo que eu queria te escrever um som. Passado o passado, acho que eu mesma esqueci o tom, mas sinto que eu te devo sempre alguma explicação. Parece inaceitável a minha decisão. Eu sei, da primeira vez quem sugeriu, eu sei, eu sei, fui eu. Da segunda quem fingiu que não estava ali também fui eu, mas em toda a história é nossa obrigação saber seguir em frente, seja lá qual direção. Eu sei. Tanta afinidade assim, eu sei que só pode ser bom, mas se é contrário é ruim, pesado e eu não acho bom (...) Me despeço dessa história e concluo: a gente segue a direção que o nosso próprio coração mandar. E foi pra lá, e foi pra lá. (...) Pois fiquei atordoada de amor. Faltou o ar, faltou o ar. Me despeço dessa história e concluo: a gente segue a direção que o nosso próprio coração mandar. E foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá.
Foi numa dessas manhãs sem sol que percebi o quanto já estava dentro do que não suspeitava. E a tal ponto que tive a certeza súbita que não conseguiria mais sair. Não sabia até que ponto isso seria bom ou mau — mas de qualquer forma não conseguia definir o que se fez quando comecei a perceber as lembranças espatifadas pelo quarto. Não que houvesse fotografias ou qualquer coisa de muito concreto — certamente havia o concreto em algumas roupas, uma escova de dentes, alguns discos, um livro: as miudezas se amontoavam pelos cantos. Mas o que marcava e pesava mais era o intangível.
Lembro que naquela manhã abri os olhos de repente para um teto claro e minha mão tocou um espaço vazio a meu lado sobre a cama, e não encontrando procurou um cigarro no maço sobre a mesa e virou o despertador de frente para a parede e depois buscou um fósforo e uma chama e fumei fumei fumei: os olhos fixos naquele teto claro. Chovia e os jornais alardeavam enchentes. Os carros eram carregados pelas águas, os ônibus caíam das pontes e nas praias o mar explodia alto respingando pessoas amedrontadas. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca: minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos: meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda tocava uma ausência sobre a cama.
Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo.
Não conseguia compreender como conseguira penetrar naquilo sem ter consciência e sem o menor policiamento: logo eu, que confiava nos meus processos, e que dizia sempre saber de tudo quanto fazia ou dizia. A vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manhã sem sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e uma ausência na mão esquerda. Seria sem sentido chorar, então chorei enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser feito era qualquer coisa sem sentido. Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram. Então fui penetrando de leve numa região esverdeada em direção a qualquer coisa como uma lembrança depois da qual não haveria depois. Era talvez uma coisa tão antiga e tão humana quanto qualquer outra, mas não tentei defini-la. Deixei que o verde se espalhasse e os olhos quase fechados e os ouvidos separassem do som dos pingos da chuva batendo sobre os telhados de zinco uma voz que crescia numa história contada devagar como se eu ainda fosse menino e ainda houvesse tias solteironas pelos corredores contando histórias em dias de chuva e sonhos fritos em açúcar e canela e manteiga.(Caio F.)
Lembro que naquela manhã abri os olhos de repente para um teto claro e minha mão tocou um espaço vazio a meu lado sobre a cama, e não encontrando procurou um cigarro no maço sobre a mesa e virou o despertador de frente para a parede e depois buscou um fósforo e uma chama e fumei fumei fumei: os olhos fixos naquele teto claro. Chovia e os jornais alardeavam enchentes. Os carros eram carregados pelas águas, os ônibus caíam das pontes e nas praias o mar explodia alto respingando pessoas amedrontadas. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca: minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos: meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda tocava uma ausência sobre a cama.
Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo.
Não conseguia compreender como conseguira penetrar naquilo sem ter consciência e sem o menor policiamento: logo eu, que confiava nos meus processos, e que dizia sempre saber de tudo quanto fazia ou dizia. A vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manhã sem sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e uma ausência na mão esquerda. Seria sem sentido chorar, então chorei enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser feito era qualquer coisa sem sentido. Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram. Então fui penetrando de leve numa região esverdeada em direção a qualquer coisa como uma lembrança depois da qual não haveria depois. Era talvez uma coisa tão antiga e tão humana quanto qualquer outra, mas não tentei defini-la. Deixei que o verde se espalhasse e os olhos quase fechados e os ouvidos separassem do som dos pingos da chuva batendo sobre os telhados de zinco uma voz que crescia numa história contada devagar como se eu ainda fosse menino e ainda houvesse tias solteironas pelos corredores contando histórias em dias de chuva e sonhos fritos em açúcar e canela e manteiga.
SE VOCÊ QUISESSE SABER
Eu tenho vontade de te contar tantas coisas. Mas você não sabe como dói e como é solitário ser gente. Gente tem mais é que guardar esses absurdos. Ontem, por exemplo, eu estava no carro, indo pra tal da palestra que eu te contei que tinha em Rio Preto, e o medo voltou. Sabe o que eu fiz? Parei o carro, peguei um caderninho que sempre levo comigo e anotei tudo o que o medo queria me dizer. Fiquei besta de ver que se ele queria me dizer alguma coisa, ele não era exatamente eu. Era só o medo. Olhei o Rivotril que minha mãe colocou na minha bolsa e aquilo não me pareceu nenhuma solução. Eram apenas duas coisinhas brancas e pequenas num recortinho de embalagem. Duas coisinhas que jamais terão o tamanho de tudo isso que tem aqui dentro. Eu senti meus pés tão fortes e meu rosto tão corado. Eu gostei de mim e da vida como não gostava há muito tempo. A vida soprou no meu ouvido para eu parar com essa coisa de não me dar comida e não me dar confiança. E isso é idiota mas quis muito que você fosse o único a saber.
Queria te contar, também, que na hora da palestra me deu tanto medo de desmaiar no meio da fala que tomei dois copos inteiros de guaraná. Mas na hora mesmo, de falar, eu lembrei de você me dizendo que ansiar ou sentir assim a vida pode fazer as palavras assumirem um poder mais mágico e, acho que porque gostei do que você falou ou simplesmente porque gosto de você, consegui não tremer o microfone e até fiz algumas pessoas rirem de alguma piada. Foi bom. Gostei da vida de novo. E de mim. E nossa. Só Deus, aquele que você não acredita que existe, sabe o quanto eu quis te contar tudo isso.
Você não imagina como dói e como é solitário ser gente. Você nem sonha. Gente não pode ligar pro moço que conhece há dias e perguntar que raio ele ta fazendo que não liga, não pergunta, não continua apertando o play. Gente não pode fazer isso. Mas então que merda eu sou se gente não pode fazer isso? Sou menos ou mais que gente? Eu só queria que você soubesse que hoje ouvi a tal da música da Nina Simone que diz que o baby just cares for me e fiquei rindo que nem besta. Uma senhora achou graça. Um homem bocejou. Uma criança cabeçuda além da conta se escondeu. O mundo sabe do que é essa minha cara, mas nem por isso está preocupado em me dar os pêsames ou os parabéns. Gostar de alguém, de novo, deveria ser algo como um enterro ou um nascimento. Mas gente acha só que é mais uma perda de tempo. E eu, que sei lá que merda sou, queria muito que não fosse.
Queria te contar que descobri porque te tratei mal da última vez. É que o raio da blusa verde furada te deixa tão bonito e eu tenho mania de chorar quando acho alguma coisa muito bonita. E pra não chorar eu trato mal. A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem ia pagar minhas contas e quem ia me querer cheia de olheiras? Então eu corro. Me dá de novo a vontade de ir embora. Eu to sempre indo embora mas aí vai um super clichê...: é de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre louca, ainda que eu seja. Queria te dizer que foi mesmo ridículo quando você disse que gostava de ir pra academia porque era mais divertido do que qualquer outra coisa e eu comparei isso com meus ensaios de dança. Agora me diz como eu posso falar tanta besteira só por causa de uma blusa verde? Isso não é engraçado? Seria engraçado, se ser gente não fosse tão trágico e dizer essas coisas tão absurdo. Ser gente é um saco, um porre, uma coisa entravada no peito. Mas o que eu queria mesmo te dizer é que, só porque talvez você queira saber, nem gente mais eu ando conseguindo ser.(Tati B.)
Queria te contar, também, que na hora da palestra me deu tanto medo de desmaiar no meio da fala que tomei dois copos inteiros de guaraná. Mas na hora mesmo, de falar, eu lembrei de você me dizendo que ansiar ou sentir assim a vida pode fazer as palavras assumirem um poder mais mágico e, acho que porque gostei do que você falou ou simplesmente porque gosto de você, consegui não tremer o microfone e até fiz algumas pessoas rirem de alguma piada. Foi bom. Gostei da vida de novo. E de mim. E nossa. Só Deus, aquele que você não acredita que existe, sabe o quanto eu quis te contar tudo isso.
Você não imagina como dói e como é solitário ser gente. Você nem sonha. Gente não pode ligar pro moço que conhece há dias e perguntar que raio ele ta fazendo que não liga, não pergunta, não continua apertando o play. Gente não pode fazer isso. Mas então que merda eu sou se gente não pode fazer isso? Sou menos ou mais que gente? Eu só queria que você soubesse que hoje ouvi a tal da música da Nina Simone que diz que o baby just cares for me e fiquei rindo que nem besta. Uma senhora achou graça. Um homem bocejou. Uma criança cabeçuda além da conta se escondeu. O mundo sabe do que é essa minha cara, mas nem por isso está preocupado em me dar os pêsames ou os parabéns. Gostar de alguém, de novo, deveria ser algo como um enterro ou um nascimento. Mas gente acha só que é mais uma perda de tempo. E eu, que sei lá que merda sou, queria muito que não fosse.
Queria te contar que descobri porque te tratei mal da última vez. É que o raio da blusa verde furada te deixa tão bonito e eu tenho mania de chorar quando acho alguma coisa muito bonita. E pra não chorar eu trato mal. A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem ia pagar minhas contas e quem ia me querer cheia de olheiras? Então eu corro. Me dá de novo a vontade de ir embora. Eu to sempre indo embora mas aí vai um super clichê...: é de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre louca, ainda que eu seja. Queria te dizer que foi mesmo ridículo quando você disse que gostava de ir pra academia porque era mais divertido do que qualquer outra coisa e eu comparei isso com meus ensaios de dança. Agora me diz como eu posso falar tanta besteira só por causa de uma blusa verde? Isso não é engraçado? Seria engraçado, se ser gente não fosse tão trágico e dizer essas coisas tão absurdo. Ser gente é um saco, um porre, uma coisa entravada no peito. Mas o que eu queria mesmo te dizer é que, só porque talvez você queira saber, nem gente mais eu ando conseguindo ser.
(...) Me assustou um pouco, sabe? Eu não preciso da tua falsa preocupação e nem que tu fique rindo de mim com outra pessoa. Na verdade eu não preciso de mais nada de ti. Confesso que cheguei a precisar muito daquela que você era, a outra, sabe? A que me escreveu todos aquelas e-mails, que me olhava e dizia que me amava, lembra? Não preciso de nada dessa nova pessoa, por isso eu deixei pra trás e disisti. Eu desisti da nova você quando eu percebi que a antiga morreu completamente, morreu junto com o que ela dizia sentir por mim, aquele dia, sabe, que tu falou que não me amava mais. Morreu. Morreu e eu desisti talvez de uma das coisas que eu mais queria e me importava. Talvez nunca tenha existido, sabe. Aquela outra de repente não existia. Mas eu enxergava coisas tão lindas nela, e admirava tanto! Mas sabe, eu lamento. Lamento ter visto tanto numa pessoa que não existia.
“Finjo o tempo todo, rio, sou alegre, dispersivo, com aquele brilho superficial e ridículo. E em cada fim de noite me sinto um lixo.”
Caio Fernando Abreu
Uma história confusa
Era quinta-feira. Como nas últimas quintas, ele estava muito nervoso e trazia um envelope na mão. Jogou o envelope em cima da mesa, ficou andando pelo quarto.
- Outra carta?- perguntei.
Não respondeu. Só fez um movimento impaciente com os ombros, que podia significar muitas coisas. Mas não disse nada. Eu então abri e li as palavras datilografadas com cuidado:
“Te vi por detrás das rosas e havia nos teus olhos uma ânsia muda. Algo assim como se quisesses falar comigo. Juro que na saída tentei me aproximar. Mas tive medo. Sei que ainda vamos ser amigos. Não quero forçar nada. Hoje é domingo pouco antes do almoço. A casa está vazia. Eu gostaria de ter escrito logo depois daquela noite. É incrível, mas há duas décadas, nesse mesmo dia da semana, nessa mesma hora, eu estava nascendo.”- É bonito – eu arrisquei. – Um pouco juvenil, talvez. Mas bonito. Afinal, a adolescência é sempre bonita.
- Ele tem vinte anos.
- Ele? Como é que você sabe que é ele e não ela?
- Eu acho, eu sinto. Uma mulher não escreveria essas coisas. Não sei, o jeito de escrever, alguma coisa.
- Pode ser – eu disse.
- E tinha uma outra carta, acho que não mostrei a você. Ele dizia que estava cansado, isso mesmo, cansado e não cansada.
- Não lembro – menti.- E ele pode estar mentindo. Essa data, por exemplo, essa data pode ser inventada.
Ele evitou meus olhos ao contar:
- Fui consultar um astrólogo. Ele nasceu a 22 de setembro de 1954. Entre mais ou menos dez e meio-dia. É de Virgem, o astrólogo disse, do último dia de Virgem. Pelos cálculos, o ascendente deve ser Escorpião.
- Ascendente?
- É o signo que. – Ele levantou os olhos, irritado. – Escuta, você não vai querer agora que eu te dê uma aula de astrologia, vai?
- Não, não. Só queria saber o que quer dizer isso.
- Quer dizer que ele deve ser inteligente. Muito inteligente. E secreto, misterioso, intenso. Só pelas cartas qualquer um percebe que ele tem certa… certa estrutura. As cartas são bem escritas, a gramática é sempre correta.
- É verdade – eu disse. – Corretíssima.
Ele sentou na beira da cama. E afundou no travesseiro:
- Não agüento mais. Isso tem quase dois meses. Preciso saber quem é essa pessoa.
Sentado aos pés da cama, eu não sabia o que dizer.
- Ele sabe tudo sobre mim, os meus horários, tudo. Às vezes fala das pessoas que conheço, de lugares onde vou. Deve estar sempre por perto, deve conhecer muita gente que eu conheço.
- Você está muito agitado.
- Claro. Como é que você queria que eu estivesse? Cada vez que recebo uma carta dessas fico assim. Me dá uma sensação estranha, saio na rua com a impressão que estou sendo observado. Alguém que eu não sei quem é acompanha todos os meus passos.
- Com amor – eu disse.
Ele acendeu um cigarro e ficou seguindo a fumaça até o teto:
- Amor? Não sei. É meio paranóico. Parece uma coisa para enlouquecer a gente devagar.
- Ou para fazer que você se interesse por ele.
Levantou-se de repente e debruçou-se na mesa. De costas, eu só podia ver seus ombros curvos e as duas mãos abertas segurando a cabeça.
- Fico imaginando as histórias mais incríveis. Às vezes acho que é alguém querendo divertir-se comigo.
- Não. – E disse pela segunda vez: – Isso é amor.
- Será? Tem coisas, tem coisas que ele escreve que parecem. Não sei, parecem verdade, entende? Ele me toca, mexe comigo. Talvez eu esteja assim todo lisonjeado porque alguém parece prestar tanta atenção em mim.
- Isso é amor – eu repeti pela terceira vez.
Ele caminhou até a janela. Percebi que olhava as folhas das palmeiras no meio da rua, remexidas pelo vento norte.
- Às vezes tenho vontade de bancar o detetive. Mas as pistas são muito tênues. Selos comuns, envelope comum, cada dia um carimbo de uma agência diferente. E esse tipo de máquina é o mais comum que existe.
- Lettera 22.
Ele jogou a ponta do cigarro pela janela, voltou-se de repente e me olhou nos olhos:
- Como é que você sabe?
- Bom, qualquer um que lida com máquina de escrever reconhece logo. É inconfundível – eu afirmei. E mudei de assunto: – Mas não deixa de ser bonito.
- Bonito e infernal.
- E antigo.
- Cartas anônimas. Parece coisa de romance do século passado. Romance epistolar. Platônico. – Suspirou fundo. – Mas eu preciso saber logo quem é esse rapaz. Nunca ninguém se interessou tanto por mim.
Tornou a sentar na mesa, acendeu outro cigarro. Estendi o cinzeiro para ele:
- Você sempre fuma demais nas quintas-feiras.
Ele riu:
- Agora nas quartas também. Fico pensando se no dia seguinte vai chegar outra carta. – Tragou fundo, olhos fechados. E acrescentou, soltando fumaça: – Também tenho escrito para ele.
- O quê?
- Tenho escrito para ele, escondido.
- Você não contou nada para Martha?
- Está louco? Você sabe como ela é ciumenta, contei só para você. Eu tenho que me esconder para escrever. Trancado no escritório, fico pensando que deve haver uma espécie assim de espírito do que eu estou escrevendo que sai pela janela, eu deixo sempre a janela aberta quando escrevo para ele, depois voa sobre os telhados e atravessa as ruas da cidade e as paredes para chegar até onde ele está, percebe?
- E o que você faz com as cartas que escreve?
- Guardo. A sete chaves. Um dia talvez possa entregá-las pessoalmente.
Eu também acendi um cigarro.
- E… o que você diz nessas cartas?
- Eu peço socorro. Eu digo que o meu casamento é um horror, já três anos desse horror que não acaba. Sabe que agora a Martha deu pra me chamar de fofo? Tem coisa mais odiosa? No domingo me pede uma parte do jornal e fica dizendo “olha só, fofo, precisamos aproveitar essa liquidação aqui, fofo, vai só até o dia 15, fofo”.- Mas a Martha era uma mulher tão… especial.
- Antes de casar. Depois que casa, toda mulher vira débil mental. Bem fez você que não entrou nessa.
Eu apaguei o cigarro:
- E o que mais você diz nessas cartas?
Ele curvou-se outra vez sobre a mesa, uma das mãos apoiava a cabeça, a outra passava lenta no tampo de madeira. Como uma carícia:
- Digo que às vezes eu tenho vontade de ter outra vez um amigo como aqueles que a gente tinha na adolescência. Aqueles pra quem você contava tudo, absolutamente tudo. E que no fim você nem sabe mais se é amigo ou irmão.
- Ou amante.
- Ou amante – ele repetiu. Depois jogou-se outra vez na cama, tirou uma folha amassada do bolso e leu: – Eu digo que estou disposto a qualquer coisa, eu digo assim: “Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto”.Dobrou a folha e tornou a enfiá-la no bolso, ainda mais amassada.
Ficamos nos olhando. Eu não sabia o que dizer. Ele afundou novamente na cama, virou-se para a parede. Fiquei ouvindo:
- Falo para você um pouco como se fosse para ele. Se você pudesse me ajudar, se ele pudesse me ajudar. É tão complicado. Saio na rua e fico olhando todos os meninos de vinte anos, como se cada um pudesse ser ele. Ando sentindo umas coisas que não entendo direito. Não gosto de não entender o que sinto. Não gosto de lidar com o que não conheço. Eu nunca vivi nada assim.
Um vento mais forte abriu a janela, fazendo voar as cinzas do cinzeiro sobre a mesa. Ele parecia menor, encolhido sobre a cama. Eu continuei ouvindo:
- Já tenho trinta e quatro anos, não posso sentir as coisas como se tivesse quinze. Você sabe, nós temos quase a mesma idade. Quanto você tem agora?
- Trinta e três – eu disse.
- Pois é, você sabe bem. A gente não tem mais idade pra ficar com esses delírios.
- Você acha que não? – eu perguntei. Mas ele continuou a falar sem ouvir.
- É tão estranho de repente saber que tem alguém pensando em mim o tempo todo. Alguém que eu não conheço. E que tem vinte anos. Fico pensando umas coisa loucas, não consigo parar.
- Que coisas – eu perguntei em voz baixa -, que coisas você pensa?
Ele passou a mão pela parede branca:
- Deitar do lado dele. Sem roupa. Abraçá-lo com força. Beijá-lo. Na boca. – Crispou a mão na parede e puxou-a para junto do corpo, para o meio das pernas. – Deve ser o vento norte, esse excesso de luz, a primavera chegando, a lua quase cheia. Não sei, desculpe. Eu estou muito confuso.
- Outra carta?- perguntei.
Não respondeu. Só fez um movimento impaciente com os ombros, que podia significar muitas coisas. Mas não disse nada. Eu então abri e li as palavras datilografadas com cuidado:
“Te vi por detrás das rosas e havia nos teus olhos uma ânsia muda. Algo assim como se quisesses falar comigo. Juro que na saída tentei me aproximar. Mas tive medo. Sei que ainda vamos ser amigos. Não quero forçar nada. Hoje é domingo pouco antes do almoço. A casa está vazia. Eu gostaria de ter escrito logo depois daquela noite. É incrível, mas há duas décadas, nesse mesmo dia da semana, nessa mesma hora, eu estava nascendo.”- É bonito – eu arrisquei. – Um pouco juvenil, talvez. Mas bonito. Afinal, a adolescência é sempre bonita.
- Ele tem vinte anos.
- Ele? Como é que você sabe que é ele e não ela?
- Eu acho, eu sinto. Uma mulher não escreveria essas coisas. Não sei, o jeito de escrever, alguma coisa.
- Pode ser – eu disse.
- E tinha uma outra carta, acho que não mostrei a você. Ele dizia que estava cansado, isso mesmo, cansado e não cansada.
- Não lembro – menti.- E ele pode estar mentindo. Essa data, por exemplo, essa data pode ser inventada.
Ele evitou meus olhos ao contar:
- Fui consultar um astrólogo. Ele nasceu a 22 de setembro de 1954. Entre mais ou menos dez e meio-dia. É de Virgem, o astrólogo disse, do último dia de Virgem. Pelos cálculos, o ascendente deve ser Escorpião.
- Ascendente?
- É o signo que. – Ele levantou os olhos, irritado. – Escuta, você não vai querer agora que eu te dê uma aula de astrologia, vai?
- Não, não. Só queria saber o que quer dizer isso.
- Quer dizer que ele deve ser inteligente. Muito inteligente. E secreto, misterioso, intenso. Só pelas cartas qualquer um percebe que ele tem certa… certa estrutura. As cartas são bem escritas, a gramática é sempre correta.
- É verdade – eu disse. – Corretíssima.
Ele sentou na beira da cama. E afundou no travesseiro:
- Não agüento mais. Isso tem quase dois meses. Preciso saber quem é essa pessoa.
Sentado aos pés da cama, eu não sabia o que dizer.
- Ele sabe tudo sobre mim, os meus horários, tudo. Às vezes fala das pessoas que conheço, de lugares onde vou. Deve estar sempre por perto, deve conhecer muita gente que eu conheço.
- Você está muito agitado.
- Claro. Como é que você queria que eu estivesse? Cada vez que recebo uma carta dessas fico assim. Me dá uma sensação estranha, saio na rua com a impressão que estou sendo observado. Alguém que eu não sei quem é acompanha todos os meus passos.
- Com amor – eu disse.
Ele acendeu um cigarro e ficou seguindo a fumaça até o teto:
- Amor? Não sei. É meio paranóico. Parece uma coisa para enlouquecer a gente devagar.
- Ou para fazer que você se interesse por ele.
Levantou-se de repente e debruçou-se na mesa. De costas, eu só podia ver seus ombros curvos e as duas mãos abertas segurando a cabeça.
- Fico imaginando as histórias mais incríveis. Às vezes acho que é alguém querendo divertir-se comigo.
- Não. – E disse pela segunda vez: – Isso é amor.
- Será? Tem coisas, tem coisas que ele escreve que parecem. Não sei, parecem verdade, entende? Ele me toca, mexe comigo. Talvez eu esteja assim todo lisonjeado porque alguém parece prestar tanta atenção em mim.
- Isso é amor – eu repeti pela terceira vez.
Ele caminhou até a janela. Percebi que olhava as folhas das palmeiras no meio da rua, remexidas pelo vento norte.
- Às vezes tenho vontade de bancar o detetive. Mas as pistas são muito tênues. Selos comuns, envelope comum, cada dia um carimbo de uma agência diferente. E esse tipo de máquina é o mais comum que existe.
- Lettera 22.
Ele jogou a ponta do cigarro pela janela, voltou-se de repente e me olhou nos olhos:
- Como é que você sabe?
- Bom, qualquer um que lida com máquina de escrever reconhece logo. É inconfundível – eu afirmei. E mudei de assunto: – Mas não deixa de ser bonito.
- Bonito e infernal.
- E antigo.
- Cartas anônimas. Parece coisa de romance do século passado. Romance epistolar. Platônico. – Suspirou fundo. – Mas eu preciso saber logo quem é esse rapaz. Nunca ninguém se interessou tanto por mim.
Tornou a sentar na mesa, acendeu outro cigarro. Estendi o cinzeiro para ele:
- Você sempre fuma demais nas quintas-feiras.
Ele riu:
- Agora nas quartas também. Fico pensando se no dia seguinte vai chegar outra carta. – Tragou fundo, olhos fechados. E acrescentou, soltando fumaça: – Também tenho escrito para ele.
- O quê?
- Tenho escrito para ele, escondido.
- Você não contou nada para Martha?
- Está louco? Você sabe como ela é ciumenta, contei só para você. Eu tenho que me esconder para escrever. Trancado no escritório, fico pensando que deve haver uma espécie assim de espírito do que eu estou escrevendo que sai pela janela, eu deixo sempre a janela aberta quando escrevo para ele, depois voa sobre os telhados e atravessa as ruas da cidade e as paredes para chegar até onde ele está, percebe?
- E o que você faz com as cartas que escreve?
- Guardo. A sete chaves. Um dia talvez possa entregá-las pessoalmente.
Eu também acendi um cigarro.
- E… o que você diz nessas cartas?
- Eu peço socorro. Eu digo que o meu casamento é um horror, já três anos desse horror que não acaba. Sabe que agora a Martha deu pra me chamar de fofo? Tem coisa mais odiosa? No domingo me pede uma parte do jornal e fica dizendo “olha só, fofo, precisamos aproveitar essa liquidação aqui, fofo, vai só até o dia 15, fofo”.- Mas a Martha era uma mulher tão… especial.
- Antes de casar. Depois que casa, toda mulher vira débil mental. Bem fez você que não entrou nessa.
Eu apaguei o cigarro:
- E o que mais você diz nessas cartas?
Ele curvou-se outra vez sobre a mesa, uma das mãos apoiava a cabeça, a outra passava lenta no tampo de madeira. Como uma carícia:
- Digo que às vezes eu tenho vontade de ter outra vez um amigo como aqueles que a gente tinha na adolescência. Aqueles pra quem você contava tudo, absolutamente tudo. E que no fim você nem sabe mais se é amigo ou irmão.
- Ou amante.
- Ou amante – ele repetiu. Depois jogou-se outra vez na cama, tirou uma folha amassada do bolso e leu: – Eu digo que estou disposto a qualquer coisa, eu digo assim: “Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto”.Dobrou a folha e tornou a enfiá-la no bolso, ainda mais amassada.
Ficamos nos olhando. Eu não sabia o que dizer. Ele afundou novamente na cama, virou-se para a parede. Fiquei ouvindo:
- Falo para você um pouco como se fosse para ele. Se você pudesse me ajudar, se ele pudesse me ajudar. É tão complicado. Saio na rua e fico olhando todos os meninos de vinte anos, como se cada um pudesse ser ele. Ando sentindo umas coisas que não entendo direito. Não gosto de não entender o que sinto. Não gosto de lidar com o que não conheço. Eu nunca vivi nada assim.
Um vento mais forte abriu a janela, fazendo voar as cinzas do cinzeiro sobre a mesa. Ele parecia menor, encolhido sobre a cama. Eu continuei ouvindo:
- Já tenho trinta e quatro anos, não posso sentir as coisas como se tivesse quinze. Você sabe, nós temos quase a mesma idade. Quanto você tem agora?
- Trinta e três – eu disse.
- Pois é, você sabe bem. A gente não tem mais idade pra ficar com esses delírios.
- Você acha que não? – eu perguntei. Mas ele continuou a falar sem ouvir.
- É tão estranho de repente saber que tem alguém pensando em mim o tempo todo. Alguém que eu não conheço. E que tem vinte anos. Fico pensando umas coisa loucas, não consigo parar.
- Que coisas – eu perguntei em voz baixa -, que coisas você pensa?
Ele passou a mão pela parede branca:
- Deitar do lado dele. Sem roupa. Abraçá-lo com força. Beijá-lo. Na boca. – Crispou a mão na parede e puxou-a para junto do corpo, para o meio das pernas. – Deve ser o vento norte, esse excesso de luz, a primavera chegando, a lua quase cheia. Não sei, desculpe. Eu estou muito confuso.
Ficou calado de repente. Olhava pela janela como se estivesse vendo algo, além das palmeiras, que eu não conseguia ver. Eu continuava sem saber o que dizer. Cheguei a chegar mais perto para estender a mão e tocar nos seus cabelos desgrenhados. E se não tivesse só vinte anos, esse rapaz, pensei em perguntar, você continuaria a gostar dele? Achei melhor não dizer nada. Parei minha mão no ar, depois puxei-a de volta para pegar outro cigarro. Mas continuei perto dele. Mais perto, bem perto. Era outra quinta-feira, esta de setembro, e desde o início de agosto nós andávamos os dois muito confusos.
Ontem de noite eu tava colocando algumas coisas em ordem no meu quarto e achei um presente que eu tava terminando de montar pra uma pessoa.. Sei lá, dói saber que agora não adianta entregar porque não vai mais fazer sentido algum, sabe?
Nunca diga não pra mim, eu não vou poder trabalhar, conversar, descansar sem o teu sim, seja sempre assim, por favor me dê um sinal, um cartão postal, um aval dizendo assim 'não, não é o fim, dure o tempo que você gostar de mim. Entre o não e o sim, só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim'. Nunca se esconda assim, eu não vou saber te falar, te explicar que eu também me assusto muito, você nunca vê que eu sou só um menino destes tais que pensam demais, logo mais vou correr atrás de ti...
Meu amor essa é a última oração pra salvar seu coração. Coração não é tão simples quanto pensa nele cabe o que não cabe na despensa. Cabe o meu amor! Cabem três vidas inteiras. Cabe uma penteadeira.. Cabe nós dois! Cabe até o meu amor, essa é a última oração pra salvar seu coração. Coração não é tão simples quanto pensa nele cabe o que não cabe na despensa...
Ao mesmo tempo que me sinto leve, estou cada vez mais pesada. Fexo os olhos e tudo esvazia e num piscar de olhos me sinto cheia de coisas, de pessoas. Tudo tão diferente, tudo tão confuso. Aonde foi parar a minha calma? Minha tranquilidade? Acho que nasci pra ser assim, intensa. Oito ou Oitenta.
Peguei minhas coisas fui embora, não queria mais voltar. Eu nunca quis presenciar o fim. Há dias que os dias passam devagar, tudo se foi e nada restou pra mim. Por isso estou aqui agora, vou embora sem pensar no que ficou pra começar ali, mas eu só tinha algumas horas pra voltar, tudo se foi, nada restou pra mim. São coisas que somente o tempo irá curar se for para nunca mais te ver chorar. São coisas que somente o tempo irá curar se foi tudo vai passar...
''Fiz tudo certo, errei quando coloquei sentimento.''
E aí? quais são seus planos? Eu até que tenho vários. Se me acompanhar, no caminho eu possso te contar. E mesmo assim queria te perguntar se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar, se tem espaço de sobra no seu coração. Quer levar minha bagagem ou não? (...) E mesmo assim queria te contar que eu talvez tenha aqui comigo, eu tenho alguma coisa pra te dar. Tem espaço de sobra no meu coração. Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.
Quando eu olhei pra cima e não te vi, não sabia o que fazer, fui contar praquele estranho que eu gostava de você. Ai, ai, será que foi assim? Que foi o tempo que tirou você de mim? E ele num momento hesitou,
mas depois não resistiu me contou que mil balões voando foi o que ele viu. Pensei: não é possível que eu não tenha reparado. Eu devo estar completamente avoada. Dei quase 5 passos e parei, não podia andar pra trás, mas confesso não cabia enxergar tantos sinais. Alô, eu sei, se chega até aqui, tão no limite não dá mais pra desistir. Amor, porque eu te chamo assim, se com certeza você nem lembra de mim.
Tentei consertar e mudar minha vida, brinquei de aceitar e paguei pra ver, mas toda vez que eu te vejo eu mudo o canal. Não pense que vai apagar da memória as coisas que os outros não vão saber, eu sei muito mais do que eles sobre você. Quem você vai chamar? Quem você vai ouvir? Quem vai te procurar agora? É tudo que eu queria ser. Você não sabe o quanto eu já tentei... Quem vai te esperar? Quem vai te ver partir? Quem vai te ver chegar agora? É tudo que eu queria ser... Quem vai te esperar? E quem vai te levar pra casa?
Peço perdão ao mundo por ser intensa demais quando o amor assim de repente bate a minha porta. Infelizmente não sei amar de mentira e muito menos pela metade. Sinto pena do mundo e das pessoas que conseguem viver dessa maneira..
joosiele
“Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão.”
| — | Clarice Lispector |
Este seu olhar quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você
Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você
Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos
"Pois fiquei atordoada de amor
Faltou o ar,
Faltou o ar.
Faltou o ar.
Me despeço dessa história
E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá."
E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá."
No auge dos maus dias chega então agosto, preciso de boas risadas pra atravessar a estranha sensação de estar perdendo meu munto entre os dedos, como se fosse areia de praia que por mais que você tente manter nas mãos escorrega, vai caindo aos poucos até então chegar tudo ao fim. Preciso de pessoas, músicas, risadas, tudo que ajude a superar agosto, ah, agosto, porque tens de fazer meu coração tão frio quanto tu?
joosiele
Nunca passou pela minha cabeça, perder tantas pessoas de uma vez só, mas eu perdi. E em um ato involuntário, ‘perdi a cabeça’ também. Chorei. Chorei. E chorei. Desisti de tudo, por todos. Como se eles se importassem ou notassem a minha ausência. Como se houvesse diferença entre eu estar longe ou perto
Eu não deveria querer você; não deveria te desejar tanto assim. É algo completamente errado e estúpido da minha parte, sabendo que seus olhos procuram outra pessoa, e nem sequer sentem necessidade de cruzar com os meus. Mas vamos lá, que culpa tenho eu, se tua imperfeição traiçoeira encanta-me tanto assim? Que culpa eu tenho, se tudo o que eu desejo em alguém, encontra-se em você? Tu és completamente imbecil, mas me apeguei tanto aos teus defeitos idiotas. Eu não consegui me controlar, apenas te quero mais do que posso suportar. Odeio te desejar.
E veja só onde é que a gente chegou
Como alguém pode chamar isso de amor,
Se hoje escrevo com navalha
Em minha pele o que eu preciso esquecer?
Como alguém pode chamar isso de amor,
Se hoje escrevo com navalha
Em minha pele o que eu preciso esquecer?
Perceba as coisas que você me falou
Como alguém pode dizer que não mudou?
Se eu sou o fruto da minha falha,
As suas falhas podem definir você
Como alguém pode dizer que não mudou?
Se eu sou o fruto da minha falha,
As suas falhas podem definir você
E quando acordar...
Aonde vai estar?
Que roupa vai vestir?
Aonde quer chegar?
Aonde vai estar?
Que roupa vai vestir?
Aonde quer chegar?
Não dá pra abandonar a posse do 'sentir'
Mas hoje estou aqui disposto a te apagar
Mas hoje estou aqui disposto a te apagar
Um mau espírito pegou tua mão
E enegreceu a cor do teu coração
E apenas eu fui testemunhaMas não me encontro em posição pra te julgar
E enegreceu a cor do teu coração
E apenas eu fui testemunhaMas não me encontro em posição pra te julgar
Pois também tenho um lado negro só meu
Apenas nunca quis ter visto o seuE eu sei que não existe nada
Nessa vida que vai nos fazer mudar
Apenas nunca quis ter visto o seuE eu sei que não existe nada
Nessa vida que vai nos fazer mudar
E quando a dor chegar,
Quem é que vai te ouvir?
Te fazer respirar?
Te devolver o ar?
Quem é que vai te ouvir?
Te fazer respirar?
Te devolver o ar?
E quando acabar,
Um corpo pra esquecer
Feridas pra sarar
E o 'adeus' que eu não falei
Um corpo pra esquecer
Feridas pra sarar
E o 'adeus' que eu não falei
Sou um retrato que a tua mão revelou
Cópia barata do que eu acho que eu sou
E sim, amor, eu sei que eu não devia
Querer demais o que eu nem sei o que é...
Cópia barata do que eu acho que eu sou
E sim, amor, eu sei que eu não devia
Querer demais o que eu nem sei o que é...
Eu vou fugir pra bem longe daqui, vou caminhar e ninguém vai me seguir.. Anoiteceu, mas faz tempo que a minha vida escureceu, não sei ao certo quando isso aconteceu.. Só sei que o culpado fui eu.
(...) você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualqueratraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um diadestes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê. (Caio F.)
A única coisa que eu tinha realmente vontade de fazer era deitar na cama e dormir. Acordar somente quando as coisas fossem mais simples, a vida menos complicada, e a dor no meu coração inexistente. Era o que eu queria. Poder esquecer tudo, começar de novo, sem precisar voltar ao começo quando chegasse ao final. Devil’s Heart
E eu juro que sinto cada milímetro do corpo se desmanchar em agonia, minhas barreiras até então construídas com tanto esforço e cuidado se desmoronam em poucos segundos, e eu me entrego e assumo o papel de tola, sensível e tão absurdamente vulnerável ao efeito de um simples oi, de meras palavras ditas com tanta inocência por você.
I miss you a lot more than you think. And just because we don't talk that much doesn't mean I don't think about you. You never even left my mind, you're there all the time.
Faz frio lá fora sem você
Me trás um café, por favor.
Esperava sentado em um banco que ficava de frente para a vidraça, de lá dava pra ver tudo na rua, as pessoas correndo da chuva, os engravatados irritados, as moças desesperadas, os carros apressados, o transito completamente parado, um caus, e, em meio a tudo aquilo vi uma pessoa, achei que fosse você, tinha os mesmos olhos, só não tinham o mesmo brilho que os seus, será que seus olhos ainda brilham ao me ver?! Enfim, ela tinha uma boca parecida com a sua também, e isso me fez lembrar quando você sussurrava que me amava, assim, quando eu menos esperava. De repente um sussuro ouvi, era a sua voz dizendo que
me amava. Me assustei e olhei para todos os lados, mas você não estava ali. Voltei a olhar a tal moça, meio misteriosa, a unica que em meio a tudo aquilo estava ali parada. Como se esperasse que algo de muito importante acontecesse assim do nada, e, pelo visto, não acontecia, aos poucos parecia que o olhar dela ia ficando mais distante - lembrei que os seus também ficaram - é como se ela percebesse que o que ela tanto esperava ali, com aquele olhar misterioso, não fosse chegar nunca. Por isso a feição triste foi surgindo, acho que pude até ver uma pequena lágrima correndo pelo seu rosto, mas não se sabe se era lágrima ou a chuva mesmo, ou os dois quem sabe. O que será que aquela moça esperava? Ou quem? Eu não sei, mas eu me senti tão próximo a ela, acho que é porque ela me lembrava tanto você e tudo que me lembra você faz com que eu me sinta mais intimo, mais próximo, não entendo muito bem essa ligação que eu insisto em ter com você, mesmo que de longe. Sabia que eu ainda canto as nossas músicas, releio nossas cartas e do risada a toa quando lembro das coisas? Pode parecer bobo, mas eu tenho acordado com uma vontade de você... Comecei a lembrar de você e perdi a moça de vista, quando me dei por conta ela havia sumido dali. Meu café chegou. Aos poucos ele foi esfriando junto com meu coração que hoje em dia só se aquece com a sua presença. Fechei os olhos e vi tanto de você na moça misteriosa, então sorri. Você faz falta, mas uma falta gostosa de sentir, uma falta com gostinho de quero mais, e eu bobo por você sempre vou querer mais...
Esperava sentado em um banco que ficava de frente para a vidraça, de lá dava pra ver tudo na rua, as pessoas correndo da chuva, os engravatados irritados, as moças desesperadas, os carros apressados, o transito completamente parado, um caus, e, em meio a tudo aquilo vi uma pessoa, achei que fosse você, tinha os mesmos olhos, só não tinham o mesmo brilho que os seus, será que seus olhos ainda brilham ao me ver?! Enfim, ela tinha uma boca parecida com a sua também, e isso me fez lembrar quando você sussurrava que me amava, assim, quando eu menos esperava. De repente um sussuro ouvi, era a sua voz dizendo que
me amava. Me assustei e olhei para todos os lados, mas você não estava ali. Voltei a olhar a tal moça, meio misteriosa, a unica que em meio a tudo aquilo estava ali parada. Como se esperasse que algo de muito importante acontecesse assim do nada, e, pelo visto, não acontecia, aos poucos parecia que o olhar dela ia ficando mais distante - lembrei que os seus também ficaram - é como se ela percebesse que o que ela tanto esperava ali, com aquele olhar misterioso, não fosse chegar nunca. Por isso a feição triste foi surgindo, acho que pude até ver uma pequena lágrima correndo pelo seu rosto, mas não se sabe se era lágrima ou a chuva mesmo, ou os dois quem sabe. O que será que aquela moça esperava? Ou quem? Eu não sei, mas eu me senti tão próximo a ela, acho que é porque ela me lembrava tanto você e tudo que me lembra você faz com que eu me sinta mais intimo, mais próximo, não entendo muito bem essa ligação que eu insisto em ter com você, mesmo que de longe. Sabia que eu ainda canto as nossas músicas, releio nossas cartas e do risada a toa quando lembro das coisas? Pode parecer bobo, mas eu tenho acordado com uma vontade de você... Comecei a lembrar de você e perdi a moça de vista, quando me dei por conta ela havia sumido dali. Meu café chegou. Aos poucos ele foi esfriando junto com meu coração que hoje em dia só se aquece com a sua presença. Fechei os olhos e vi tanto de você na moça misteriosa, então sorri. Você faz falta, mas uma falta gostosa de sentir, uma falta com gostinho de quero mais, e eu bobo por você sempre vou querer mais...
joosiele
"Esperando receber a visita de alguém (que eu sei que não vem)
Desejando que as horas passem mais depressa,
Esperando que o sono venha te buscar."
DoYouLike
Desejando que as horas passem mais depressa,
Esperando que o sono venha te buscar."
"tudo o que eu escrevo, não faria o menor sentido se você não estivesse aqui pra ler, pra escutar, preciso que você fique, pra mim poder ter a quem amar"
Pedaços de textos e músicas "sem querer" montados por mim e uma amiga..
Aprendi que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam! Você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida. Ela tem medo de amar porque até agora todos os amores que ela teve por tudo o que ela passou, só a ensinou que amar dói, e muito, e descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, e se entregar é uma bobagem, já que você não está aqui o que posso fazer é cuidar de mim, quero ser feliz ao menos, lembra que o plano era ficarmos bem? Mas nos meus olhos dá pra ver, seu adeus doendo assim. Maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas, mas vai te dar uma saudade do tempo que agente viveu e eu talvez não vá estar mais aqui. Dai aprendemos que não importa em quantos pedaços seu coração está partido, o mundo não para para que você o conserte! Mas o mundo dá tantas voltas, e é Deus quem faz ele girar, se o amor for verdadeiro Deus não vai deixar se acabar. O tempo não é algo pra que passa voltar para trás, mas se foi pra terminar por quê que começou? Tinha de ser pra sempre, mesmo sabendo que o pra sempre, sempre acaba! Todo mundo me fala que eu preciso ser minha, inclusive pra ser sua, mas eu não deixo de olhar para o espelho e ver uma metade de gente, uma metade de sonho, de sexo, de alegria e de futuro. Que se foda a auto-ajuda, que se fodam os livros com homens carecas, que se foda o terceiro olho (do cu?) e que se foda a psicologia: eu sou mesmo metade sem você e que se foda, eu odeio pensar em você a noite inteira, e sonhar em dormir ao teu lado, odeio não sentir o calor das tuas mãos junto as minhas, e está tudo lá, mas você, mais uma vez, não está aqui, você é o tipo de pessoa errada, certa . Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, em outro canto, mas eu não quero outro canto, eu quero insistir no nosso canto.
/Josiele e Thaina *-*
/Josiele e Thaina *-*
Mas olha só, não é engraçado? Mesmo você querendo outra eu ainda quero tanto você. Eu ainda consigo dizer eu te amo e isso ainda me faz feliz, não é realmente engraçado? É que também é engraçado eu falar tanta coisa pra você aqui que eu talvez tenha perdido a coragem de falar na cara, por saber que não é mais a mesma coisa.. Mas é que você realmente não sabe, mas quando eu amo eu fujo, fujo tanto com medo da dor que acaba doendo ainda mais.. Eu só precisava que você chegasse e falasse: "Mas eu te entendo, e eu quero ficar com você..". Mas ninguém entende ):
“- Ah, menina, o que foi que aconteceu com você? O que foi que fizeram com você? - Eu não sei, eu não entendo. Roubaram a minha alegria…”
— Caio Fernando de Abreu.
— Caio Fernando de Abreu.
As vezes tenho vontade de me matar. Será que alguém sentiria falta? Tenho medo de que a maioria nem notasse..
Um dia talvez você entenda o quanto a sua distração me dói, o quanto esse seu silêncio me rasga. Caio Fernando Abreu
Oi "pequeno novo diário"... Meu diário oculto.
Joguei minhas giletes fora e arrumei meu cabelo.. Me sinto uma nova mulher pronta pra tudo, sei lá, mas quando chego em casa bate uma deprê terrivelmente insuportável, mas eu suporto, ah, suporto sim!
Vou tentar dormir, boa noite.
Joguei minhas giletes fora e arrumei meu cabelo.. Me sinto uma nova mulher pronta pra tudo, sei lá, mas quando chego em casa bate uma deprê terrivelmente insuportável, mas eu suporto, ah, suporto sim!
Vou tentar dormir, boa noite.
Tá ouvindo? Não né? Eu to gritando, bem alto, muito alto! Mas o que, meu Deus? Eu não seeeei, mas eu to gritando, eu to me ferindo, eu to me machucando, eu to me fudendo. Eu não sei amar, eu sei me machucar. Quando a gente se apaixona tudo bem, da uns dias a dor passa, e, nem chega a ser dor. Mas ah, quando é amor.. E eu senti amor ASSIM, que nem esse que eu to sentindo por ti, uma vez só, e eu me ferrei pra caralho, e eu to sentindo de novo, e tá me assustando, eu to feito criança boba de novo sofrendo, vem me salvar, por favor!!! Eu nem sei o que eu to escrevendo, é que, na verdade, eu queria estar te falando tudo isso, mas acabo fingindo que esse blog escuro, sem ninguém, é você... Ah, como eu te amo, minha pequena.
Pode parecer maluco, mas todas as minhas súplicas para que você desista de mim, é um jeito maluco de pedir que você não desista nunca, pelo amor de Deus.
Eu sabia que meu coração ainda não tinha virado uma pedra. Porque doía. Doía muito.
Meg Cabot
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