Estes rascunhos agora deixados, são lembranças de momentos que vivi. As frases que tu me disse, os beijos, os meus sorrisos. Vou posicionando estes pensamentos minuciosamente no papel, palavra por palavra, tentando reviver tudo aquilo, mas acaba sendo infeficáz. Mas quando as palavras são pequenas demais, quando as frases vão se juntando e ficando vazias, parece que as coisas vão se desmanchando, e eu também… Estou inútil, estou muda, ouço o apenas o que me agrada - chame de lembrança, se quiser - Cheguei num ponto aonde o desespero é maior do que minha alma, aonde não consigo respirar porque estou sufocada de falta de você. Então descrevo minha história como a vítima de um crime, tendo minha vida relatada por alguém. Algo me parece errado. Eu, garota forte que havia jurado para mim mesma que sempre relataria meus sentimentos, agora tendo tudo descrevido em outras formas. Por medo de arriscar, medo de colocar pingos nos is e me jogar daquele precipício que tanto temo. Me sinto fraca vendo esses rabiscos, obras incompletas que eu sei que não vou terminar. Porque esses rascunhos sou eu, são os pedacinhos de mim que preferi deixar pra trás, inconscientemente. É algo que eu não posso por ponto final, eu ainda não estou pronta.
Acho que sou um rascunho, amassada nas pontas, o rosto apagado com traços fortes no olhos, rabisco por rabisco vou percebendo que eu sou as lembranças que eu vivi, e por livre escolha, vou me deixando de lado, tentando não me ferir.

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